Quedas resultam em 40% das mortes nos idosos, segundo a OMS

Quedas resultam em 40% das mortes nos idosos, segundo a OMS

Altos índices de quedas geram impactos psicológicos, sociais e econômicos

Nunca se envelheceu tanto na história, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O número de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos vai mais que dobrar no mundo em 2050, passando de 900 milhões em 2015 para cerca de 2 bilhões. A frequência de quedas é um dos fatores que aumenta de acordo com a idade. A cada ano, aproximadamente 28% a 35% das pessoas com mais de 65 anos sofrem quedas e esse número aumenta para 32% a 42% com idosos acima de 70 anos.

“O envelhecimento é um processo saudável onde há alteração das funções orgânicas de maneira geral, e quanto maior a faixa etária, maior a probabilidade de se somar condições que possam comprometer a independência e a instabilidade postural”, analisa Zélia Vieira, médica geriatra analista da Evidências Kantar Health.  “A alta incidência de queda nessa população está relacionada a um conjunto de elementos no processo de envelhecimento não saudável. Essas alterações no sistema visual, vestibular e musculoesquelético juntas acabam comprometendo o equilíbrio corporal que é mantido pela integração entre informações sensoriais captadas levando a uma condição de fragilidade e pode ocasionar na perda da força e do equilíbrio”, declara Viera.

Consequências 

Quedas podem significar perdas na mobilidade do idoso, tanto motora quanto psicológica. “É muito comum após um forte tombo, o idoso ter medo de cair novamente, comprometendo assim diretamente sua independência”, comenta Vieira. Em média, 70% dos que já sofreram queda possuem risco mais elevado de cair no ano subsequente, segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria (SBG) e dados estatísticos populacionais.

Além disso, há consequências mais graves: 40% das mortes na terceira idade têm relação com as quedas, de acordo com a OMS. 20% morrem em período de um ano depois de fraturar o quadril, por exemplo. “É alarmante e envolvem questões não somente clínicas, mas a do ambiente onde ele vive, social e do sistema de saúde como um todo. Ter esse trauma acaba sendo um divisor de aguas na vida do idoso e deve ser visto com muita atenção”, alerta Vieira.

Brasil

No Brasil, a população idosa é quase 20 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mas estima-se que esse número pode chegar a 34 milhões em 2025. Segundo dados do DATASUS, os brasileiros idosos sofrem com 30% quedas e em 2004 a taxa de mortalidade hospitalar por tombos foi 55%.

Impacto econômico

As quedas e suas consequências são problemas que permeiam não somente os familiares da pessoa idosa, que pode se tornar dependente e hospitalizada, mas, também gera impactos na sociedade e na saúde pública. Gastos gerados com medicamentos, cirurgias, consultas médicas, cuidadores, transportes, dentre outros.

A cada ano são gastos mais de R$ 51 milhões com o tratamento de fraturas provenientes de quedas e R$ 24,77 milhões com medicamentos para tratamento da osteoporose, de acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Principais fatores de risco

Além dos fatores de risco mais comum associados aos tombos como idade avançada, imobilidade, baixa aptidão física, fraqueza muscular, alteração de equilíbrio, marcha lenta com passos curtos, perdas cognitivas, sedativos, dentre outros, há atividades e comportamentos que podem aumentar ou não a probabilidade de cair. “É sempre bom lembrar sobre a mudança no estilo de vida e como é fundamental na prevenção e promoção do envelhecimento saudável: diminuir o sedentarismo, alimentação favorável, manter um peso adequado. Além disso, o melhor remédio para a terceira idade é a atividade física e isso começa desde cedo”, comenta Vieira.

Importância da prevenção

Um local seguro e apropriado, com objetos à mão práticos no dia a dia também são fatores importantes. Os tapetes por exemplo, devem ser removidos e ideal que haja interruptores ao lado da cama. Há também sensores de quedas, aparelhos em formato de pingentes que emitem um sinal automático quando detectam alguma emergência.

Acessibilidade e ações para deixar o ambiente mais seguro são assuntos que também merecem atenção. Estratégias e movimentos com o termo “age-friendly” (palavra em inglês para ‘amigáveis às pessoas idosas’) tem ocorrido em diversos países com ações que valorizam a autonomia da terceira idade, visando um envelhecimento saudável com qualidade de vida. “A população precisa cada vez mais entender o papel do idoso na sociedade”. Declara Vieira. “Até porque, envelhecer é um processo natural e pode ser vivido com muita qualidade e independência, envelhecer não é sinônimo de adoecer”.

 

Imagem: <a href="https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/pessoas">Pessoas fotografia desenhado por Freepik</a>

 

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