Outubro Rosa: Retirada das mamas e queda do cabelo são desafios no tratamento

Outubro Rosa: Retirada das mamas e queda do cabelo são desafios no tratamento

Receber o diagnóstico de câncer de mama é um verdadeiro desafio. Medo, dúvidas, angústia e insegurança são alguns dos sentimentos mais comuns experimentados pelas mulheres que recebem o diagnóstico da doença.  Segundo dados da Kantar Health, estima-se que somente em 2015 mais de 76 mil brasileiras tenham sido diagnosticadas com câncer de mama. Isso significa que cerca de 75,4 a cada 100 mil brasileiras descobriram terem câncer de mama, uma taxa bem menor do que as 151,9 mulheres em cada 100 mil que detectam a doença nos EUA.

Ainda que detectem a doença cedo – em média aos 59 anos, quando são mais jovens que as norte-americanas, que costumam receber o diagnóstico aos 63 anos – as brasileiras têm uma maior taxa de descoberta do câncer de mama em estágio de metástase (9,8% dos casos no Brasil, contra 5,8% nos EUA). Nessa hora, apoio da família e dos amigos, assim como informações corretas acerca da doença e de seu tratamento, são essenciais para enfrentar o problema.

“O impacto psicológico do diagnóstico de câncer de mama é brutal e toda mulher que passa por isso sofrerá um processo de luto em algum momento no decorrer do tratamento ou mesmo após o seu término”, afirma a oncologista Bruna Pegoretti, coordenadora do departamento de Medical Intelligence da Evidências - Kantar Health.  “É muito frequente no consultório observar que as mulheres ‘seguram a peteca’ durante o processo do diagnóstico e do tratamento quimioterápico inicial e às vezes só depois de algum tempo, quando já estão ‘fora de perigo’, vêm a desenvolver um quadro depressivo. É como se elas segurassem a própria barra e a dos familiares durante o período agudo de tratamento, sem se dar ao luxo de baixar a guarda. Esse é um fenômeno muito comum observado no consultório, daí a importância de acompanhar essas pacientes de perto, ficando atento ao menor sinal de um quadro depressivo e interferindo precocemente para mitigar sofrimentos”, aponta.

Um dos maiores desafios da doença é quanto à retirada das mamas, a mastectomia. Mesmo com todo o avanço da medicina, a retirada total da mama ainda pode ser necessária – dependendo do tamanho do tumor, do seio, e do estágio da doença. Lidar com a perda dos seios é algo extremamente complexo para a mulher, pois lida com aspectos como sexualidade, maternidade, sensualidade e feminilidade. Por tudo isso, sempre que possível tenta-se preservar ao máximo as mamas, fazendo uma cirurgia conservadora. Mas caso isso não seja possível, a cirurgia plástica reparadora procura restaurar o seio de forma mais próxima em aparência e tamanho, para diminuir a sensação de perda e oferecera possibilidade de reinclusão social para a paciente.

“A boa notícia é que hoje, na maioria dos casos, é possível fazer uma cirurgia que preserve a maior parte do tecido mamário e com bons resultados estéticos sem prejuízo à chance de cura. Mesmo nos casos em que a mastectomia é necessária, há técnicas de reconstrução que, em muitos casos, trazem resultados satisfatórios”, afirma o oncologista Luciano Paladini, médico analista da Evidências - Kantar Health.

Força na peruca

Outro aspecto que preocupa muito as mulheres se refere à queda de cabelo. A maioria das medicações quimioterápicas usada para o tratamento do câncer de mama atua sobre as células que se reproduzem com mais rapidez, como as do bulbo capilar. Embora nem todas as medicações causem queda de cabelo (conhecida como alopecia), é bom sempre lembrar que o importante é que o medicamento seja eficaz no tratamento e que, no final da terapia, os fios voltarão a crescer. 

“Quase 100% das mulheres ao serem informadas que o cabelo cairá têm uma atitude positiva e dizem que estão mais preocupadas com a saúde. É como se ela não sentisse o direito de sofrer por questões estéticas frente a um diagnóstico grave”, aponta Pegoretti. “Mas a verdade é que o cabelo é um aspecto muito importante na vida das mulheres e nesses casos os profissionais devem tomar uma atitude de reforço positivo, mostrando às pacientes que elas têm todo o direito de sofrer por essas questões também, mas que, apesar de estigmatizantes, essas questões são temporárias”.

A boa notícia é que hoje existe uma touca chamada cold cap (touca gelada) que, quando utilizada durante a quimioterapia, reduz consideravelmente o risco de queda de cabelo. Muitos hospitais brasileiros já utilizam a técnica, que pode ajudar na qualidade de vida das pacientes.

Qualidade de vida durante o tratamento

Entre o diagnóstico e a cura, existe o período de tratamento, que pode variar bastante de caso a caso. Segundo os dados mais recentes da Globocan, aproximadamente 73% de todas as brasileiras diagnosticadas com câncer de mama sobreviveram por 5 anos após o diagnóstico. Uma das inovações que melhoram a qualidade de vida da paciente durante o tratamento é o uso da quimioterapia oral, que consiste na utilização de medicamentos antitumorais na forma de comprimidos. 

A eficácia dos comprimidos é a mesma do tratamento tradicional, que utiliza aplicações intravenosas, e a principal vantagem é relacionada à qualidade de vida do paciente, que não precisa visitar uma clínica ou um hospital para continuar o tratamento, já que os comprimidos podem ser tomados em casa, no trabalho ou em qualquer outro lugar em que se encontre o paciente.

Assim, o paciente pode manter sua rotina profissional e pessoal enquanto mantém o tratamento. Outra vantagem é que a quimioterapia oral não provoca, na maior parte dos casos, queda de cabelo.

E falando em qualidade de vida, o apoio social e familiar faz toda a diferença para um tratamento menos penoso. Vários estudos mostram que o apoio social e familiar, assim como dos profissionais de saúde, contribui para o bom funcionamento social e, consequentemente, para uma melhor qualidade de vida dessas mulheres.

É claro que o diagnóstico de um câncer provoca um grande impacto tanto no paciente como em seus familiares, e é comum que as pessoas fiquem assustadas e não saibam como lidar ao receber a notícia da doença. O importante é que esse desafio pode ser mais facilmente vencido com união: se todos se unirem e se apoiarem, será mais fácil passar pelo câncer e suas implicações. “O que ajuda, nestes casos, é a realização de grupos de pacientes que estejam vivendo as mesmas experiências. Este trabalho psicoterápico de grupo tende a trazer uma melhora na aceitação da sua condição”, aconselha Paladini.

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