Novembro Azul: aplicativos auxiliam no combate do câncer de próstata

Novembro Azul: aplicativos auxiliam no combate do câncer de próstata

Uma das maiores barreiras na prevenção e no tratamento do câncer de próstata é o preconceito. Mas o combate a essa barreira pode ganhar um aliado muito poderoso. Muitas universidade e centros tecnológicos vem buscando desenvolver aplicativos que visam contribuir para a educação, disseminação de informações, e mesmo para a detecção precoce da doença.

Um desses aplicativos em desenvolvimento reconhece células cancerígenas no sangue através de biossensores – pequenos dispositivos que utilizam respostas biológicas convertidas em um sinal elétrico. Se essas células forem detectadas, é possível ficar atento para a formação de um tumor e fazer uma intervenção precoce. O projeto é brasileiro e foi criado pela Epitrack, empresa que desenvolve plataformas online em parceria com o laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Também em fase de desenvolvimento, outro aplicativo de saúde pretende auxiliar os homens na tomada de decisão após o diagnóstico de câncer de próstata. Através de informações pessoais coletadas do usuário combinadas a algoritmos, o aplicativo Centricity Symposium desenvolvido pelo Feinstein Institute for Medical Research (EUA) visa oferecer informações de tratamento e suporte. Além disso, também pretende encaminhar resultado de exames do paciente por e-mail aos seus médicos para discussão dos casos. O aplicativo poderá ser usado tanto em smartphones como em tablets ou desktops. Para seu criador, Michael Diefenbach, o objetivo da ferramenta foi usar a tecnologia também em um momento difícil enfrentado pelo homem. "Tomar decisões de tratamento é intimidante em qualquer tipo de câncer, mas pode ser particularmente difícil para os homens que lidam com o câncer de próstata, pois tem um grande impacto em funções físicas diárias muito básicas", afirmou em comunicado oficial.

Outros aplicativos já existentes, como o Prostate Assistant, ajudam o paciente a administrar o tratamento, gerenciando profissionais de saúde, compromissos e progresso, além de conter uma série de perguntas frequentes. Seguindo uma linha semelhante, o MyAssist é um aplicativo criado para fornecer suporte a pacientes com câncer (não apenas de próstata), provendo assistência pessoal em tempo real com lembretes de consultas médicas, despertador, assistência médica, serviços de concierge e muito mais. Há ainda um aplicativo bem específico para pacientes com câncer de próstata avançado, especialmente aqueles recebendo terapia de privação androgênica. Batizado simplesmente de ADT (a sigla em inglês para Terapia de Privação Androgênica), o aplicativo australiano alerta o usuário quanto ao próximo teste e fornece informações de suporte úteis para cada etapa do tratamento.

Informação

Tecnologia e ferramentas que permitem maior autonomia no cuidado da saúde são muito importantes, mas não são suficientes se não andarem juntas com a informação. Neste mês, na campanha #NovembroAzul, é comum associarem a detecção do câncer de próstata ao exame de toque. “O  temido toque retal, um procedimento rápido - dura segundos, é praticamente indolor e não afeta em nada a masculinidade do homem. É importante ressaltar que deve também ser realizado, já que o antígeno prostático específico (PSA) não é eficaz sozinho. Cerca de 20% dos casos diagnosticados ao toque retal podem cursar com PSA normal ao diagnóstico”, alerta o oncologista Luciano Paladini, médico analista da Evidências – Kantar Health.

Em pesquisa realizada pelo instituto Datafolha em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia, Instituto Oncoguia e farmacêutica Bayer em agosto de 2017, 76% dos homens têm consciência sobre o câncer de próstata, mas 21% acham que o exame de toque “não é coisa de homem”. Infelizmente essa ideia não é só no Brasil, sendo muito comum em níveis mundiais – daí a importância de campanhas para o esclarecimento de toda população, como também ocorre com o Movember, movimento que começou em 2003 na Austrália por dois jovens angariando fundos para a Fundação do Câncer de Próstata da Austrália (pCFA) e hoje, conta com mais de cinco milhões de membros em todo o mundo e cresce cada dia mais.

Avanço

A boa notícia é que o câncer de próstata, se diagnosticado precocemente, tem grandes chances de cura, com taxas em torno de 90% a 95% de cura. “A maior parte dos pacientes com câncer de próstata não vai morrer por causa da patologia. Então, a conversa sobre prognóstico, que é difícil em alguns tipos de câncer (como pulmão ou estômago), é mais tranquila quando se trata do câncer de próstata”, declara Paladini. 

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