HIV/AIDS: como a informação contribui com a queda nos índices

HIV/AIDS: como a informação contribui com a queda nos índices

O número de pessoas infectadas com o vírus da AIDS, o HIV, tem diminuído nos últimos anos. De acordo com as estatísticas do UNAIDS, o índice de novas infecções caiu 47% desde 1996 e as mortes relacionadas à doença são 51% menor desde 2004.

Desde o chamado boom da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS é sua sigla em inglês) que se deu no início dos anos 1980, diversos são os esforços em todo o mundo para disseminar uma conscientização sobre a doença. Entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS), Organizações das Nações Unidas (ONU), UNICEF, UNESCO e a própria UNAIDS dentre outras, se uniram para erradicar a contaminação principalmente em áreas mais atingidas, como na África oriental e austral que possui cerca de 19,6 milhões de pessoas vivendo com o HIV atualmente.

Campanhas

Campanhas como o dia mundial de combate à AIDS comemorado no dia 1º de dezembro e que se dá durante o mês todo, representam não só o cuidado com a saúde, mas a extinção de preconceitos e tabus existentes, como os que ainda associam a doença à grupos homossexuais, ou como era chamado nos anos 1980 de “o câncer gay”.

A desinformação é outro grande desafio abordado nessas campanhas: no Brasil, o Ministério da Saúde projeta que 20% das pessoas vivendo com o HIV não sabem que possuem o vírus. Esse dado mostra o quanto informação e prevenção são importantes para que mais pessoas não contraiam e transmitam a doença. “Em grande parte dos casos, não apenas a vida do indivíduo está em jogo, mas também as vidas de seus parceiros”, ressalta Eloisa Moreira, diretora de Pesquisa Clínica da Kantar Health Brasil.

Atualmente, é comprovado que existem grupos de risco onde a incidência é maior, porém, a eminência do contágio ocorre para qualquer um. O que se vê em muitos casos, são mulheres infectadas por seus parceiros, em casamentos e relacionamentos estáveis. De acordo com a UNAIDS, mulheres jovens entre 15 e 24 anos têm o dobro de probabilidade de estarem vivendo com HIV do que homens e, todas as semanas, cerca de 7.000 pessoas da população feminina dessa mesma faixa etária são infectadas pelo vírus.

Mídias sociais

A informação digital também teve grande participação na redução dos índices atuais. Através da globalização e do advento da internet, muito se conseguiu aproximar as pessoas, tirar dúvidas e angariar fundos em prol de campanhas em todo o mundo. Grupos como Greater Than AIDS por exemplo, que possui mais de 500 mil seguidores e ajudam pacientes e familiares que se deparam com um diagnóstico positivo.  A PrEP (profilaxia pré-exposição), medicamento usado para evitar o contágio, foi disseminada a partir de um grupo da internet criada por Greg Owen, um barman que desde então se tornou ativista. O Brasil foi o primeiro país da América Latina a distribuir o remédio com auxílio da Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro.

No cinema

A sétima arte também tem papel importante não só para entretenimento, mas também sobre conscientização. Através de personagens reais como no filme Club de Compras Dallas, em que conta a história da busca pelo primeiro tratamento para AIDS (AZT), até o mais recente Bohemia Rhapsody do lendário astro Fred Mercury, passa a mensagem de como era difícil viver com esse diagnóstico nos anos de descoberta da doença, ainda recentes. Filmes brasileiros como Boa sorte João e do cantor Cazuza também fizeram sua função.

Queda no uso

Mesmo com números declinantes, o risco do contágio ainda é eminente. As pessoas não podem esquecer que a AIDS mata e não tem cura. Inclusive, o uso de preservativo tem diminuído, principalmente, pela comunidade mais jovem. Segundo as informações do Target Group Index da Kantar IBOPE Media, usar proteção nos relacionamentos caiu entre 2012 e 2017, especialmente no grupo entre 18 e 44 anos. “A geração mais nova parece ter perdido o medo da AIDS provavelmente porque não viveu o drama da doença de uma forma mais intensa, como as gerações anteriores presenciaram”, alerta Otávio Clark, CEO da Kantar Health no Brasil. “O que os jovens esquecem é que o HIV ainda é totalmente incurável. Se consegue até um certo grau de controle, mas com o uso de medicamentos que tem efeitos colaterais importantes, que limitam a vida do paciente”.

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