Participantes do Ciclo de Debates Sobre Câncer de Mama criticam burocracia para incorporar novos tratamentos

Participantes do Ciclo de Debates Sobre Câncer de Mama criticam burocracia para incorporar novos tratamentos

A burocracia impede novos tratamentos de câncer. Esse foi o ponto mais contundente da discussão no I Ciclo de Debates Sobre Câncer de Mama para Parlamentares da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama). O evento aconteceu nesta quinta-feira, 03 de abril, no Plenário 13 da Câmara dos Deputados em Brasília (DF).

Otávio Clark, diretor-presidente da Evidências, participou da discussão. Ele debateu o desafio para a incorporação de novas tecnologias pelo SUS. Durante sua apresentação, Clark apontou que apenas 6,8% dos pedidos feitos por laboratórios farmacêuticos foram aprovados, enquanto pedidos feitos por órgãos governamentais chegaram a 92,5%. “Não dá para entender que medicamentos e tecnologias já adotados em vários países e com eficácia comprovada, sejam questionados pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), sem qualquer estudo novo. Essas coisas funcionam no mundo inteiro. Mas por que não funcionam para o brasileiro?”.

O oncologista clínico Carlos Barrios, membro do Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM), também criticou a burocracia e a morosidade do sistema. Durante sua palestra sobre quais medicamentos deveriam estar disponíveis no SUS, mas não estão, ele apontou que demora entre 12 e 14 meses para a liberação de protocolos de pesquisas clínicas com novos medicamentos no Brasil atualmente - mais que o dobro da média mundial. Com isso, mais de cinco mil mortes de mulheres poderiam ter sido evitadas se as pacientes tivessem recebido os medicamentos adequados, ainda não disponíveis no Brasil.

O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), também participou do evento, dando um depoimento sobre as dificuldades de financiamento do SUS. Perondi apontou o problema da falta de recursos, que poderiam melhorar o acesso a novos tratamentos no SUS, e disse que o Brasil investe apenas R$ 3 por habitante/dia na saúde. “O que o Governo oferece é muito pouco para um país que bate recordes de arrecadação a cada ano, mas que não prioriza a saúde”.

O ciclo de debates será composto por dois encontros, um em abril e outro em maio. Com isso, a Femama pretende munir os parlamentares com informações sobre o câncer de mama avançado, colaborando assim para novas leis e ações que possam contribuir para o tratamento da doença.

03/04/2014
Por Redação Evidências

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