Paralimpíadas Rio 2016: Esporte e tecnologia ajudam pessoas com deficiência a superar limites

Paralimpíadas Rio 2016: Esporte e tecnologia ajudam pessoas com deficiência a superar limites

Daniel Dias nasceu com má formação congênita dos membros superiores e da perna direita. Ele descobriu o esporte aos 16 anos, e hoje é o maior medalhista brasileiro, com 10 ouros, quatro pratas e um bronze conquistados nas Paralimpíadas de Pequim (2008) e Londres (2012), além de 14 títulos e seis recordes mundiais. Terezinha Guilhermina possui uma deficiência congênita que a fez perder a visão. Ela usou o esporte como forma de reabilitação e hoje é considerada a velocista cega mais rápida do mundo, tendo quebrado o recorde mundial dos 100 metros rasos e conquistado a medalha de ouro das Paralimpíadas de Londres (2012). Natalia Mayara foi atropelada por um ônibus quando tinha apenas dois anos de idade e teve suas duas pernas amputadas. O esporte foi fundamental para sua recuperação e hoje ela acumula diversos títulos nacionais e sul-americanos de tênis em cadeiras de rodas, sendo a atual campeã ParaPan-Americana de simples e duplas.

Essas três histórias são apenas alguns exemplos de como o esporte pode ajudar não apenas na reabilitação de pessoas com deficiências, mas também na melhoria da qualidade de vida e na superação de limites. E esses três atletas estarão representando o Brasil nos Jogos Paralímpicos 2016, que acontecem de 07 a 18 de setembro no Rio de Janeiro. Durante mais de 10 dias de competições, a capital carioca receberá 4.350 atletas de 178 países para disputar 23 esportes.

Deficientes visuais, mentais, paralisados cerebrais, com prejuízo neurológico, amputados e cadeirantes podem participar em diferentes categorias – e em diferentes classificações funcionais – das Paralimpíadas Rio 2016. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), deficiência é um termo “guarda-chuva” que abrange deficiência, limitação de atividade e restrição de participação em qualquer atividade. “A deficiência não é apenas uma questão de saúde, é um fenômeno complexo, que envolve a interação da pessoa com o próprio corpo e com a sociedade, a superação de limites e a aceitação”, aponta Luciana Clark, diretora de Comunicação Científica da Evidências - Kantar Health.

Ainda segundo a OMS, mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo apresentam algum tipo de deficiência – o que representa uma em cada sete pessoas. Só no Brasil, 23,9% da população (ou mais de 45 milhões de pessoas) tem pelo menos uma das quatro deficiências pesquisadas (visual, auditiva, motora ou intelectual), de acordo com o Censo de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Se considerarmos apenas as deficiências motora e intelectual, temos 8,4% dos brasileiros ou 16 milhões de pessoas afetadas”, diz Clark.

A superação através do esporte

Para as pessoas com deficiência, o esporte pode ajudar – e muito – não apenas na reabilitação, mas também na qualidade de vida. O esporte promove a integração social, levando o indivíduo a redescobrir que é possível, apesar das limitações físicas, ter uma vida saudável e fazer amizades.

“A literatura médica mostra que a atividade física e o esporte trazem diversos benefícios nas esferas psicológica, social e física para a população em geral e especialmente para pacientes com deficiências motoras ou mentais. Entre os benefícios encontrados estão melhora da capacidade aeróbica, redução dos riscos cardiovasculares, menor incidência de infecções, complicações médicas e hospitalizações além de melhora na autoestima, independência e socialização”, afirma Clark.

Tecnologia

O esporte também pode ajudar de uma forma indireta a essas pessoas com deficiência: no desenvolvimento de novas tecnologias.

Milhões de pessoas em todo o mundo dependem de órteses, próteses, cadeiras de rodas e outros aparelhos para melhorar sua qualidade de vida. A OMS estima que o número de pessoas que utilizem cadeiras de rodas em todo o mundo seja cerca de 65 milhões de pessoas. No entanto, a tecnologia atual ainda não permite que essas pessoas tenham plena independência ou conforto: cadeiras de rodas ainda não conseguem subir escadas, próteses de braços ainda não conseguem simular todos os movimentos das mãos. Para fazer essa tecnologia avançar, é preciso muito estudo e muito investimento: e é aí que os esportes podem colaborar.

A tecnologia visa, além de aprimorar o desempenho, deixar o usuário mais confortável e adaptado para render o máximo nas competições e voltar a realizar as tarefas do dia-a-dia. É o caso das próteses batizadas de “blade runners”, feitas de fibra de carbono, que imitam a ação do tornozelo durante uma corrida, ao se comprimir contra o chão e armazenar energia cinética, liberada pelo atleta no momento da descompressão da lâmina. Para os atletas amputados acima do joelho, existe uma forma de manter o movimento natural das pernas por meio de joelhos mecânicos, onde pequenos cilindros, que funcionam à base de hidráulica, dão estabilidade e minimizam a perda de energia, assegurando que toda a força gerada pelo atleta seja empregada em sua impulsão – o que ajuda muito no desempenho do salto em distância, por exemplo. Já no caso das cadeiras de rodas, alguns fabricantes chegam a testar a velocidade e a resistência das mesmas em túneis de vento, levando ao aprimoramento de sua aerodinâmica, leveza e até mesmo conforto.

Essas grandes inovações são desenvolvidas para o esporte e as situações mais extremas acontecem nas grandes competições, como as Paralimpíadas Rio 2016. Mas é aí que essas tecnologias são colocadas à prova e muito do que se provar benéfico pode ser adaptado para as próteses do cotidiano e incorporado até mesmo para os não atletas – hoje, os pés de fibra de carbono podem ser utilizados até mesmo no cotidiano, com um desenho menos “agressivo” do que o dos atletas. E todos esses avanços tecnológicos, aliados ao esporte, podem contribuir muito para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. 

Filtrar
Newsletter

Assine nossa Newsletter para receber notícias e informações da Evidências.

Veja também