Outubro rosa: sistema de resfriamento ajuda a diminuir impacto causado pela quimioterapia

Outubro rosa: sistema de resfriamento ajuda a diminuir impacto causado pela quimioterapia

Ao se deparar com um diagnóstico de câncer de mama, é comum a paciente consultar sites e grupos na internet buscando informações em um momento de muitas dúvidas e dificuldades. “O impacto psicológico causado pelo câncer é brutal e toda mulher que passa por este diagnóstico sofrerá um processo de luto em no decorrer do tratamento ou mesmo após seu término”, declara Bruna Pegoretti, médica oncologista da Evidências – Kantar Health. Porém, em tempos de fake news, é importante estar munida de informações concretas e que ajudam na tomada de decisão de tratamento e em técnicas que auxiliam a passar por esse processo da melhor maneira possível.

O sistema de resfriamento é atualmente, uma dessas técnicas que ajudam a diminuir o impacto causado pela quimioterapia, já que o tratamento reflete diretamente em alopecia, a queda de cabelo. Trata-se de uma máquina que conduz alta concentração de refrigeração diretamente ao couro cabeludo.  O frio intermitente nessa região estreita os vasos sanguíneos diminuindo a atividade dos folículos pilosos, o que retarda a divisão celular e torna os folículos menos afetados pelo medicamento quimioterápico. Com menos remédio chegando no couro cabeludo, menor a probabilidade de o cabelo cair.

O resfriamento deve ser feito 20 a 50 minutos antes, durante e depois de cada sessão de quimioterapia. É um processo incômodo devido à grande quantidade de frio recebido na região, com dor similar a uma crise de enxaqueca geralmente. Para Tobias Engel, médico oncologista da Evidências – Kantar Health, a técnica é totalmente recomendada. “Vale a pena. Tivemos recentemente estudos demonstrando que a utilização de toucas resfriadas pode ajudar em diminuir a queda de cabelo em alguns pacientes”. Atualmente, o sistema de resfriamento é feito em hospitais e clinicas especializadas e estima-se que com o uso da touca é possível amenizar a queda de cabelo entre 60% e 80%.

Brasil

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, excluindo-se o câncer de pele. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) indica que em 2018 acontecerá mais de 58 mil casos no Brasil. Os fatores de prevenção mais impactantes dizem respeito aos bons hábitos de vida com dieta balanceada e atividade física. “Existem estudos de qualidade comprovando que mesmo após um diagnóstico de neoplasia de mama, mulheres que passam a adotar bons hábitos após o diagnóstico têm redução de mortalidade considerável pela doença em relação as mulheres que seguem com maus hábitos”, alerta Pegoretti.

O diagnóstico precoce é fundamental para o aumento das chances de cura já que estes estão diretamente relacionados ao estágio da doença ao diagnóstico, então mamografia e visitas periódicas ao seu médico são fundamentais. Porém, ainda é baixo o número exames. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o percentual de cobertura mamográfica de 2017 nas mulheres da faixa etária entre 50 e 69 anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi o menor dos últimos cinco anos, sendo realizadas em apenas apenas 2,7 milhões.  A cobertura foi 24,1%, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Autoestima e cuidados psicológicos

Técnicas que inspiram o cuidado e atenção voltada a autoestima da mulher devem ser estimuladas, demonstrando assim o quanto podem ser determinantes no processo de tratamento e até mesmo de cura. “A fase de diagnóstico e tratamento mexem com a aparência da mulher já que pode vir acompanhada de queda de cabelo e reações no humor e retirada da mama. Valorizar a autoestima contribui de forma significativa no enfrentamento da doença e minimiza os efeitos colaterais do tratamento”, declara Engel.

Diante de um quadro de doença, a aparência por vezes acaba sendo deixada de lado, mas o que na verdade, pode ser determinante e importante na preservação e no bem-estar psicológico da paciente durante esse processo difícil. “Quase 100% das mulheres ao serem informadas que o cabelo irá cair (felizmente isso não ocorre com todos os tratamentos quimioterápicos) têm uma atitude positiva e dizem que estão mais preocupadas com a saúde. É como se ela não sentisse o direito de sofrer por questões estéticas frente a um diagnóstico grave”, reforça Pegoretti. “Mas a verdade é que o cabelo é um aspecto muito importante na vida das mulheres e nestes casos os profissionais devem tomar uma atitude de reforço positivo, mostrando às pacientes que estas têm todo o direito de sofrer por estas questões também, mas que, apesar de estigmatizantes, são temporárias”.

O peso da do câncer de mama está não apenas na questão física, mas sim social e psicológico. Em sua experiência em consultórios, Pegoretti analisa: “é muito frequente observar que as mulheres ‘seguram a peteca’ durante o processo do diagnóstico e do tratamento quimioterápico inicial e às vezes, só depois de algum tempo, vêm a desenvolver um quadro depressivo. É como se ela segurasse a própria barra e a dos familiares durante o período agudo de tratamento e quando se vê fora de perigo se desse ‘ao luxo’ de baixar a guarda”.

“Daí a importância de acompanhar estas pacientes de perto e estar atento ao menor sinal de um quadro depressivo e interferir precocemente para mitigar sofrimentos”, analisa Pegoretti.

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