Novembro azul: mil brasileiros sofrem amputação peniana todos os anos por falta de higiene

Novembro azul: mil brasileiros sofrem amputação peniana todos os anos por falta de higiene

Simples cuidados diários com a higiene são tão determinantes quanto uma visita ao médico, por exemplo. Já que, todos os anos no Brasil, cerca de mil homens sofrem amputação total ou parcial do pênis justamente por falta de limpeza adequada, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Isso se dá porque o surgimento de fungos e bactérias na região da genitália aumenta as chances de desenvolvimento do câncer de pênis. Além disso, acarreta em irritação crônica, fimose e doenças sexualmente transmissíveis, como o HPV.

“O câncer de pênis é uma patologia ligada a falta de esclarecimento, orientação e às baixas condições socioeconômicas da população masculina”, declara Tobias Engel, médico urologista e oncologista da Evidências – Kantar Health. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), esse tipo de tumor é considerado raro em alguns locais no mundo, porém, no Brasil é mais frequente nas regiões Norte e Nordeste. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 500 homens morreram em 2015 devido à doença que ocorre na maioria em homens a partir dos 50 anos.

Sua detecção pode ser observada no autoexame. Na maioria dos casos, o primeiro sinal é a alteração na cor da pele do pênis ou no prepúcio (em homens não circuncidados) associada a uma secreção branca (esmegma). Também é importante estar atento a outras mudanças, como nódulos (também na região da virilha), inchaços, feridas, lesões, inclusive mau cheiro.

Daí a importância da conscientização já que, 31% dos homens não possuem o hábito de ir ao médico e, desses, 55% afirmam que não precisavam, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE). E essa indulgência reflete em longo prazo, já que, eles vivem em média 7,2 anos a menos do que as mulheres.

“Não só no câncer de pênis, mas também no de próstata - que no Brasil, é o 2º mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma) de acordo com o INCA - o que se vê com frequência é um preconceito sem propósito e a falta de esclarecimento”, alerta Engel. “Orientações como maneiras simples de higiene, hábitos saudáveis e cuidados pessoais, como a ida ao médico, são fatores fundamentais para um diagnóstico precoce, onde se têm grandes chances de cura sem a necessidade de cirurgias extremas. ”

Novembro azul

A campanha do #NovembroAzul associa a detecção do câncer de próstata ao exame de toque.  “O temido toque retal, um procedimento rápido - dura segundos, é praticamente indolor e não afeta em nada a masculinidade do homem – é de extrema importância já que, o exame de antígeno prostático específico (PSA) não é eficaz sozinho”, ressalta Luciano Paladini, médico oncologista da Evidências – Kantar Health. “Cerca de 20% dos casos diagnosticados ao toque retal podem cursar com PSA normal ao diagnóstico”, alerta.

Assim como acontece no #OutubroRosa, durante todo o mês de novembro existe um esforço de mídia para informar sobre as principais doenças que acometem a população masculina, destacando as formas de detectá-las antecipadamente e ajudando a tirar o estigma dos exames que ajudam nas rotinas de check-up médico. “O novembro azul conscientiza e faz com que um número cada vez maior de homens procure por atendimento médico e realize exames de rotina não só para a neoplasia de próstata, mas também para diagnosticar e tratar outras doenças comuns com o envelhecimento, como hipertensão arterial e dislipidemias”, explica Engel. O cuidado e atenção com o corpo devem ser contínuos, o ano todo.

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