Novembro Azul: Informação contra o preconceito

Novembro Azul: Informação contra o preconceito

“Muitos homens enfrentam o câncer em silêncio, quando não precisam”. Essa é uma das mensagens contidas no site da Fundação Movember, que incentiva os homens a deixarem o bigode crescer durante o mês de novembro para simbolizar a mudança como uma forma deles também mudarem a maneira como “encaram” os cuidados com a própria saúde. O movimento, iniciado em 2003 na Austrália, foi criado por dois jovens que encontraram 30 homens dispostos a deixar o bigode crescer como forma de divulgar a campanha do “Movember”, angariando fundos para a Fundação do Câncer de Próstata da Austrália (pCFA). Na época, a ação levou à maior doação única recebida pela fundação. Hoje, o movimento conta com mais de 5 milhões de membros em todo o mundo e cresce cada dia mais.

No Brasil, o câncer de próstata é o 2º mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma), segundo o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). A taxa de incidência da doença é 6 vezes maior nos países desenvolvidos se comparados com os países em desenvolvimento, e a previsão é de que em 2016 ocorram 61.200 novos casos (INCA).

Assim como acontece no Outubro Rosa, durante todo o mês de Novembro existe um esforço de mídia para informar a população sobre as principais doenças que acometem a população masculina, destacando as formas de detectá-la antecipadamente e ajudando a tirar o estigma dos exames que ajudam nas rotinas de check-up médico.

“A campanha do novembro azul é extremamente importante. Os homens normalmente procuram o atendimento médico de rotina oito vezes menos que as mulheres. O novembro azul conscientiza e faz com que um número cada vez maior de homens procure por atendimento médico e realize exames de rotina não só para a neoplasia de próstata, mas também para diagnosticar e tratar outras doenças comuns com o envelhecimento, como hipertensão arterial e dislipidemias”, explica o oncologista Tobias Engel, médico analista da Evidências – Kantar Health.

Apesar de todo o esforço da campanha, ainda é muito comum o preconceito sobre o exame para detecção do câncer de próstata – o tão temido exame de toque. “O  toque retal é um procedimento rápido, que dura segundos, é praticamente indolor e não afeta em nada a masculinidade do homem. Ele deve ser realizado porque o antígeno prostático específico (PSA) não é eficaz sozinho na hora de detectar o câncer de próstata. Cerca de 20% dos casos diagnosticados ao toque retal podem acusar PSA normal ao diagnóstico”, alerta o oncologista Luciano Paladini, médico analista da Evidências – Kantar Health.

Em pesquisa realizada pelo instituto Datafolha em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia em novembro de 2015, 76% dos homens têm consciência sobre o câncer de próstata, mas apenas 32% realizam o exame. No nordeste, esse número é mais assustador: 74% dos entrevistados nunca fizeram o exame de toque. “Existem dados norte-americanos mostrando que entre 20-25% dos homens que fazem o rastreamento com PSA isoladamente não aceitariam participar de um programa de rastreamento que incluísse o toque retal. Este dado sugere que uma certa relutância em realizar o toque retal não é exclusividade latina ou brasileira”, analisa Paladini.

E como quebrar alguns paradigmas que infelizmente ainda existe na nossa cultura? “A melhor forma é através de campanhas para o esclarecimento da população sobre os exames de rastreamento e as novas possibilidades terapêuticas”, afirma Engel. 

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