Doenças não transmissíveis matam 40 milhões por ano e poderiam ser evitadas com simples mudanças

Doenças não transmissíveis matam 40 milhões por ano e poderiam ser evitadas com simples mudanças

Diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, pulmonares e cânceres. O que essas patologias têm em comum? Todas não são contagiosas e podem ocorrer de forma silenciosa se não houver acompanhamento médico regularmente. São algumas das chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e juntas matam mais do que qualquer outra causa de morte em todo o mundo, sendo mais de 40 milhões por ano. Dessas, 15 milhões são pessoas com idade entre 30 e 70 anos, segundo levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Tabagismo, uso abusivo de álcool, maus hábitos alimentares, sedentarismo e falta de atividade física regular estão entre as causas destes problemas. “Essas doenças geram sofrimento e perda significativa da qualidade de vida das pessoas, além de um impacto financeiro desastroso no sistema de saúde, seja ele público ou privado”, destaca Ricardo Fortes, médico analista da Evidências – Kantar Health.

A fim de reduzir esses dados alarmantes, a OMS reuniu em outubro do ano passado, chefe de governos e ministros de todo o mundo pedindo mais comprometimento na adoção de novas e ousadas práticas no combate aos principais fatores de risco.  Na conferência, o embaixador da organização, Michael Bloomberg, alertou que “pela primeira vez na história, mais pessoas estão morrendo de doenças não transmissíveis, como enfermidades do coração e diabetes, do que de doenças infecciosas”.

Brasil

O relatório também aponta que países de baixa e média renda totalizam sete milhões das mortes anuais. No Brasil, cerca de 73% de todos os óbitos são atribuíveis às DCNTs, de acordo com a própria OMS. Esse número reflete a dificuldade de acesso às informações e aos serviços de saúde, afetando principalmente os indivíduos com menor renda e escolaridade.

“A atenção primária à saúde no Brasil é insuficiente e de qualidade e efetividade questionáveis”, analisa Fortes. “Uma política melhor sistematizada e sem desperdícios de recursos poderia atenuar esta questão e melhorar a atuação dos profissionais e agentes de saúde nas comunidades, fortalecendo as atuações de conscientização e prevenção dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de DCNTs”.

Estudo

Para Elene Nardi, Analista de Economia da saúde e acesso ao mercado da Evidências – Kantar Health “o que se observa são hábitos alimentares não saudáveis na maioria da população brasileira. Ainda temos um consumo muito baixo de, por exemplo, frutas e vegetais e um consumo alto de doces, refrigerantes e sucos artificiais. Além disso, mais da metade da população não se exercita regularmente”, analisa.

Nardi foi uma das autoras do estudo “Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNS) e Índice de Massa Corporal (IMC) de beneficiários e não beneficiários de planos de saúde privados no Brasil”, apresentado no congresso da International Society For Pharmacoeconomics and Outcomes Research (ISPOR) Latam que aconteceu no Brasil, em 2017. “As DNTs e excesso de peso estão se tornando alguns dos principais problemas de saúde pública no Brasil e as políticas para sua prevenção e controle devem ser implementadas”, declara Nardi. “Políticas que foquem no controle dessas doenças”.

Medidas

Contudo, a população pode e deve contribuir para a diminuição dessas taxas com simples mudanças no dia a dia, através de ações em suas comunidades e no âmbito doméstico, visto que, diversos fatores de riscos são evitáveis. “Atitudes de importância fundamental, como por exemplo, parar de fumar, praticar um esporte, atenuação dos níveis de estresse e controle do peso, dentre outras”, orienta Fortes.

Importante como a consciência da mudança, a permanência no hábito também requer esforço por parte de cada pessoa. Há diversos estudos e até mesmo o livro best seller “O poder do hábito” escrito por Charles Duhigg em 1960 indicando que mudanças viram rotina em média depois de 21 dias de repetições. Isso porque o cérebro precisa desse tempo para memorizar tal ação e considerá-la necessária ou automática.

“As pessoas tendem a acreditar que as modificações destes hábitos nocivos não são instantâneas. Porém, pequenas alterações no dia a dia, como trocar elevador por escada (quando possível), optar por alimentos minimamente processados, reduzir a quantidade de frequência da ingesta de bebida alcoólica e parar com o consumo de tabaco, costumam ser mais efetivas e duradouras”, menciona Fortes. Sabe-se que a implementação dessas iniciativas exige mudanças, o que não é uma tarefa fácil. Mas como orienta Fortes: “o primeiro passo é a decisão de mudar”.

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