Dia Mundial do mosquito alerta para doenças causadas pelo animal mais letal do mundo

Dia Mundial do mosquito alerta para doenças causadas pelo animal mais letal do mundo

Hoje, 20 de agosto, é o dia mundial do mosquito, data em que o médico britânico Sir Ronald Ross descobriu que as fêmeas do mosquito Anapheles (conhecido como mosquito-prego no Brasil), transmitiam a malária aos seres humanos. A partir daí, novas doenças foram descobertas servindo de alerta às milhares de mortes causadas pelo inseto ao redor do mundo.

Só a malária provocou 445 mil mortes em 2016, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), matando a cada 60 segundos, uma criança no mundo. Outros animais fatais peçonhentos ou de grande porte não fazem nem um terço de suas vítimas fatais: cobras fazem cerca de 125 mil vítimas por ano no mundo todo, leões fazem 200 vítimas e tubarões apenas 55, de acordo com dados da OMS.

Diversos vírus são transmitidos por mosquitos e outros artrópodes – os chamados “arbovírus”. Existem mais de 3500 tipos do inseto, e os mais conhecidos sãos os Aedes e o Culex. A lista de doenças que podem ser transmitidas é enorme, e vai desde as mais conhecidas, como dengue, zika e chikungunya, até as mais exóticas, como febre do Nilo ocidental e filariose, passando por malária, febre amarela e leishmaniose. Algumas não causam mais do que um mal-estar que se assemelha a gripe comum, mas muitas podem ser fatais.

O mosquito Aedes é um dos menores – tem apenas sete milímetros – e um dos mais perigosos. Ele é responsável por transmitir várias doenças, entre elas dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A dengue é a que registra o maior número de casos: 390 milhoes de casos ao redor do mundo. De acordo com a OMS, a dengue é endêmica em mais de 128 países, com cerca de 3,8 milhões de pessoas em risco.  

O chikungunya teve quase de 147 mil casos confirmados nas Américas registrados em 2016 pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Os países que relataram a maioria dos casos foram o Brasil (265.000 casos suspeitos), Bolívia e Colômbia (19.000 casos suspeitos, respectivamente). Já a zika apresentou mais de 91 mil casos prováveis registrados até abril de 2017 no boletim epidemiológico do Ministério da Saúde do Brasil. As duas doenças já foram documentadas em mais de 60 países da África, Ásia, Américas e Europa.

Malária

De todas essas doenças, a malária é a mais perigosa. “A malária é a principal causa parasitária de morbidade e mortalidade em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento onde há sérios problemas econômicos e sociais”, alerta Otávio Clark, CEO da Evidências – Kantar Health. Em 2016, mais de 216 milhões de casos foram relatados em 91 países, de acordo com dados da OMS. Se não tratada a tempo, a malária pode se agravar e levar a convulsões, delírio, anemia, insuficiência renal, edema pulmonar, coma e óbito. Não existe vacina, mas o tratamento com agentes antimaláricos geralmente é eficiente e seguro – quando feito rapidamente e de forma correta.

Combate

Combater essas doenças é essencial, mas não é fácil. Isso porque a maioria das áreas endêmicas se encontra em regiões menos favorecidas, que precisam vencer muitos desafios sociais e econômicos para resolver questões de saúde pública. Outra questão importante é o fator ecológico de combater os mosquitos.

“O combate a essas doenças é uma questão difícil, já que o principal problema é a transmissão por mosquitos e os desequilíbrios ecológicos estão fazendo mais e mais pessoas entrarem em contato com eles”, aponta Clark. “A facilidade de viajar também contribui para a rápida disseminação global das doenças – a zika, por exemplo, acredita-se que foi introduzida no Brasil durante a Copa do Mundo de futebol há dois anos e rapidamente se alastrou pelo país e pelo continente. No caso da malária, a resistência do mosquito ao larvicida também é considerada um fator que contribui para o aumento no número de casos”.

Estudos

A Evidências – Kantar Health já produziu alguns estudos sobre o Aedes Egypti, seu impacto econômico, inclusive o pôster Aedes Aegypti: economic impact of prevention versus palliation of diseases caused by the mosquito, apresentado na International Society For Pharmacoeconomics and Outcomes Research (ISPOR) Latam, realizada em São Paulo no ano passado. O estudo avaliou as despesas que governo brasileiro tem durante esses surtos causados pelo mosquito comparando-as com os gastos gerados em campanhas de prevenção. 

O estudo Brazilian public healthcare system actions to care for children with microcephaly também apresentado na conferencia da ISPOR, avaliou os serviços no sistema público de saúde brasileiro oferecidos para o tratamento de crianças nascidas com microcefalia durante o surto de zika em 2015/2016.

Estes e outros estudos podem ser conferidos em nossa aba publicações, clicando aqui. 

Filtrar
Newsletter

Assine nossa Newsletter para receber notícias e informações da Evidências.

Veja também