Carnaval: apenas 44,2% dos brasileiros usam preservativo em novos relacionamentos

Carnaval: apenas 44,2% dos brasileiros usam preservativo em novos relacionamentos

Além da AIDS, a falta do uso da camisinha tem aumentado o número de sífilis nos últimos anos

Carnaval chegando e o alerta “use camisinha” nunca fez tanto sentido, já que, apenas 44,2% da população brasileira faz uso do preservativo em novos relacionamentos. Segundo as informações atualizadas do Target Group Index da Kantar IBOPE Media, o uso de preservativos nos relacionamentos tem caído entre 2012 e 2017, com acentuada queda dentro do próprio ano de 2017 – entre abril e setembro continuou a ocorrer queda, especialmente no grupo entre 18 e 44 anos. Só houve aumento do uso de preservativos entre o público acima dos 45 anos.

 

Otávio Clark, CEO da Kantar Health no Brasil, dá contexto aos números: “A geração mais nova parece ter perdido o medo da AIDS, provavelmente porque não viveu o drama da doença de uma forma mais intensa, como as gerações anteriores presenciaram, ao ver pessoas famosas falecendo após contrair uma doença sem cura e sem tratamento, que foi muito explorada pela mídia. O que os jovens esquecem é que o HIV ainda é totalmente incurável. Se consegue até um certo grau de controle, mas com o uso de medicamentos que tem efeitos colaterais importantes, que limitam muito a vida do paciente. O cotidiano de uma pessoa com HIV hoje é muito melhor com o uso dos tratamentos disponíveis, que permitem uma vida mais longa e com mais qualidade, mas é importante destacar que o tratamento é realmente muito sério.”

Além da AIDS, a falta do uso de preservativo acaba  sendo a porta de entrada para outras doenças sexualmente transmissíveis (DST´s), como a sífilis. “Por muito tempo, podíamos considerar a sífilis como uma doença sob controle, quase não tínhamos relato no hospital. Mas agora, está voltando com força, com uma versão de bactéria resistente aos antibióticos – já que em geral aumentou o consumo desses medicamentos”,  complementa Clark.

No ano de 2016, foram notificados 87.593 casos de sífilis adquirida, segundo o Ministério da Saúde, que também alerta para o aumento da doença nos últimos anos. (Imagem abaixo).

A sífilis possui três estágios, aparecendo inicialmente como uma ferida indolor no órgão genital, reto ou boca. Após um período, essa ferida some, o que pode dar uma falsa sensação de cura. Em seguida, na segunda fase, é comum surgir manchas vermelhas na pele, descamação, dores musculares, de cabeça, mal estar, febre, perda de peso e de apetite. A terceira fase pode ocorrer depois de anos - sendo mais possível se não tiver ocorrido o tratamento - e resultar em graves danos causados no cérebro, memória, olhos, articulações, nervos ou coração.

Felizmente, a sífilis é uma doença curável, mas não é o caso de todas as doenças evitáveis com o uso do preservativo. Sobre isso, Clark chama atenção para outro ponto. “É importante comparamos que, o número do uso de preservativos diminuiu, porém pode-se dizer que aumentou a quantidade de relações, já que houve uma maior liberação sexual nos últimos tempos. A grande verdade é que as pessoas estão parando de usar a camisinha e isso é preocupante”, alerta.

Filtrar
Newsletter

Assine nossa Newsletter para receber notícias e informações da Evidências.

Veja também